A Tomada de Decisão Empresarial: Lições da Prática

O desafio das empresas em crescimento
Nesses quase 20 anos atuando com empresas de diferentes setores e portes, percebo um padrão que ainda persiste no Brasil: a demora na tomada de decisão.
Isso aparece, principalmente, nas empresas que estão no chamado “meio de campo” — aquelas que faturam entre R$ 30 milhões e R$ 100 milhões por ano.
Não são nem pequenos negócios, mas também não chegam a ser gigantes corporativos. Muitas vezes são empresas familiares, já na terceira geração, que se veem diante de dilemas estratégicos, mas ainda operam com práticas ultrapassadas.
A roda precisa girar
O papel do Diretor ou do C-Level é claro: fazer a roda girar. Mas não uma roda de ferro, enferrujada, herdada do bisavô. A roda precisa ser de fibra de carbono — leve, moderna e adaptada ao tempo presente.
Tomar decisões de forma lenta, baseada em “achismos” ou em simples torcida para dar certo, pode significar desperdiçar anos de esforço. Negócios não sobrevivem na base da sorte. Eles precisam de racionalidade, método e, claro, um pouco de intuição — desde que usada com responsabilidade.
O erro do comando amador
Ainda vejo diretores que se preocupam em cortar custos trocando o copinho de café por um mais barato, mas evitam enfrentar os verdadeiros desafios do negócio. Isso não é gestão eficiente, é ilusão de economia.
Projetos e decisões empresariais devem ser pautados em dados concretos, análises de risco e, acima de tudo, planejamento. O improviso pode até funcionar em situações pontuais, mas não sustenta um negócio de médio ou longo prazo.
Antecipar é regra de ouro
Ao se deparar com decisões relevantes, a regra deve ser antecipar. Falar com todas as áreas envolvidas, ouvir especialistas internos e externos e mapear riscos são etapas obrigatórias.
Um projeto grande pode ter condicionantes que levarão anos para se resolver. Ignorar isso é caminhar para a frustração. E aqui vai um conselho direto: nunca esconda condicionantes. Se um órgão ambiental precisa aprovar algo delicado, enfrente logo essa questão. Fingir que ela não existe só cria expectativas falsas.
Fatiar para avançar
Decisões grandes devem ser divididas em várias menores. Isso mantém o projeto em movimento, semana após semana, permitindo identificar problemas e encontrar soluções de forma gradual. O avanço contínuo gera clareza, confiança e a sensação de missão cumprida.
É muito melhor resolver aos poucos do que ficar paralisado diante do “elefante” inteiro.
O papel da assessoria jurídica estratégica
Outro ponto crucial: empresário nenhum deve enfrentar esse processo sozinho. A presença de profissionais especializados, de confiança e alinhados com a realidade do negócio, encurta caminhos e reduz riscos.
O advogado empresarial hoje não é apenas quem lê contratos ou resolve litígios. Ele atua lado a lado com o administrador, ajudando a antecipar problemas, acelerar projetos e aumentar a segurança das decisões.
A diferença entre um negócio bem-sucedido e um projeto fracassado pode estar justamente na qualidade da assessoria que acompanha o empresário.
👉 Reflexão final: Decidir rápido não é decidir mal. É ter método, clareza e coragem para enfrentar as condicionantes desde o início. Quem espera demais acaba ficando para trás.